No fim, a gente sempre pensa no começo... E em tudo.

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Quando eu era criança queria ter uma cachorrinha poodle pra poder colocar o nome de Jully. Demorou muito para meus pais a deixarem entrar nas nossas vidas, e posso dizer que quando entrou, chegou com tudo. Esses dias, quase 14 anos depois, recebi a notícia de que ela está com um edema pulmonar e pode partir a qualquer momento. 

No fim a gente pensa no começo. Bom, vocês podem estar pensando: “Essa garota quer prestar homenagens a um cachorro? Ela nunca poderá ler ou entender essa mensagem!”. Pois é, você tem razão. A Jully nunca lerá essas palavras, assim como o Kauê (falecido há 17 semanas, um adorável e gordinho vira-lata que me era muito precioso) não leu minha tristeza registrada aqui. Mas eles não precisam mesmo saber ler, ou falar, para entender o que nós sentimos por eles. São os humanos que levam anos para compreender o amor, a linguagem do afeto, o valor de um sentimento tão grandioso. A Jully sabe que eu a amo, pois quando chego em casa depois de uma ou duas semanas fora, ela deita no meu pé e chora de alegria. Ela sabe que eu a amo, pois quando ela não conseguia dormir de falta de ar, eu a acariciei por horas até que adormecesse. Ela sabe, como sabe! Quando eu estava ao lado do Kauê nos seus últimos momentos, ele estava fraco e eu derramava lágrimas de tristeza ali, junto com ele. A Jully, sempre muito carente e egocêntrica com o carinho, veio até mim e lambeu as lágrimas do meu rosto, depois deitou com a cabeça sobre o corpinho enfraquecido dele. Aquela foi a última noite que dormiram juntos, depois de uma vida inteira compartilhada. 

Esses cachorros, seres que muitos maltratam, renegam, judiam e desprezam, foram meus grandes amigos por anos. Nós crescemos juntos. Meu irmão, o Kauê a Jully, seus filhotes (as também finadas Marion e Hania), e eu. Nós os víamos correr pelo quintal de madrugada, latindo e se mordendo, brincando! Agora resta um vazio naquele quintal. Os últimos dias de uma Poodle que viu sua família partir, e que agora, cansada, se despede de nós. 
Não são só os cachorros. É a minha vida que sinto que está atrelada e esses eventos. Tenho a impressão de que ela tem passado por mim como uma raio, muito rápida! Isso me atormenta de uma forma que não posso colocar em palavras. Eu sou uma pessoa com vários temores; dentre eles, um dos maiores, é deixar minha vida passar sem poder aproveitar, criar, fazer algo de bom para o mundo. Vejo hoje meus amiguinhos de quatro patas partindo, uma parte de mim indo com eles. Vejo também minha avó ficar curvadinha, meu avô mancar, algumas ruguinhas nascendo nos olhos de minha mãe, meu irmão trazendo comida pra casa, planejando uma vida ao lado de sua namorada... 
A vida está ventando sobre mim, trazendo mudanças, levando coisas preciosas.
Escrevo hoje esse texto para que muitas pessoas saibam da Jully e do Kauê, do amor intenso e puro que com que eles amaram essa garota aqui. Também escrevo para que vocês possam sentir um pouco disso tudo. Quero que as pessoas olhem para suas vidas e aproveitem os amores que tem, para que o tempo não passe por elas e fique para trás deixando mais lacunas do que partes preenchidas. 
A você que teve paciência para chegar até aqui, deixo essa mensagem: ame intensamente seus bichinhos, sua família, seu companheiro (a). Diga o que tem que ser dito, faça carinho, compre um presente, faça uma declaração, ou mesmo volte para casa mais cedo para aproveitar a noite ao lado de quem você ama. Ame, mas ame muito, e não deixe a vida passar por você sem se agarrar ao amor que puder com todas as suas garras. 
Ass: Juliana Daglio

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