1# Crônicas da Libélula: O valor de todas as coisas

06:58


Às vezes os dias amanhecem assim: cinzas. 
Não só literalmente, mas no meu espaço interno; aquele infinito que trago todo compactado dentro de mim. Da minha cabeça Libélula.
Nesses dias tingidos de cinza eu costumo me dedicar aos meus livros de corpo e alma. Já fiz três deles. Todos cheios de sentimentos transformados em versos narrados com o cuidado de não parecerem tanto assim comigo, mas ao mesmo tempo escancarando a minha alma.
Hoje não é um desses dias em que consigo literar (meu verbo para escrever, coisa de cabeça Libélula), pois há milhões de coisas pairando no meu infinito. Nós desamarrados, decisões incompletas, dúvidas entorpecidas. É difícil crescer num mundo onde uma pequena decisão pode mudar o curso de um ano, dois, uma década. São tantas pessoas e seus corações envolvidos, e meus sentimentos projetados, misturando-se aos delas e se fundindo num mar psíquico de comunicação que acaba por confundir toda a minha cabeça.
Mas ainda preservo a cabeça, a alma e o coração Libélula. Eu preciso parar, pensar e encontrar o valor de todas as coisas que eu faço. Preciso ter certeza que é o certo; e o certo para mim é fazer de coração, é interferir, é mudar o mundo, mesmo que esse mundo todo seja só o espacinho que tenho em volta de mim.
Tem sempre o mais; tem sempre o: eu posso melhorar. Tem sempre a minha cobrança de ser uma pessoa em constante crescimento, fazendo o bem para quem está ao meu redor só por estar ali.
Para quê eu escrevo, ou literato? Para interferir, produzir pensamentos, me fazer entender, me subjetivar no outro.
Para quê eu sou Psicóloga? Pelo mesmo motivo. É tão belo, magnífico, ver o outro encontrar-se consigo mesmo pela primeira vez, descobrir seu potencial, aprender o caminho de sua cura, ainda que eu não tenha dito quase nada. 
Eu preciso disso. Preciso incessantemente. Vorazmente. Preciso encontrar o valor das coisas.
E para mim esse valor não está no capital, na beleza do rosto, do corpo, dos padrões inventados insanos e distorcidos. O valor está na alma. No que só se vê pelo caminho do coração e através dos olhos.
Sou idealista? Provavelmente. Mas não mudaria essa minha vírgula.
Sou reticências, acreditando num parágrafo novo sempre melhor.

Sou dessas que vê beleza até no dia cinza. E não, não quero me tornar um produto dessa sociedade mecânica... Não insista em me convidar. 

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2 comentários

  1. Nossa!! Intenso e lindo!!

    Beijos
    http://cafecomlivroo.blogspot.com.br

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  2. Oi flor,
    to conhecendo o seu cantinho e adorei.
    Lindo o texto!
    E temos muito em comum, principalmente no fato do amor pela psicologia *-*
    Já estou seguindo, beijão
    http://ohcabelo.blogspot.com.br/

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