A Morte na Arte, e essa eterna tentativa de retratar a única grande certeza da vida.

15:43

 Faz tempo que dizer que "a única certeza da vida é a morte" virou clichê. Mas nem por isso essa verdade ficou batida, e difícil de entender. A verdade é que a Morte é uma certeza ambígua, pois ao mesmo tempo em que sabemos que um dia ela chegará para todos nós, não sabemos O QUE É, COMO É, E PARA ONDE ela nos levará.
Nós, os meros mortais, à mercê da Morte,  tentamos retratá-la através de nossa infinita capacidade criativa, nas mais diversas formas de arte. Bendita seja a sublimação, não é mesmo?
Por momentos pensamos nela como algo cruel, um Ser maligno, cuja nossas preces despreza e só vem a cumprir seu papel. Noutros momentos a vemos como um anjo, que com um beijo, ou com um cedro, liberta os humanos de seu sofrimento terreno. Para os mais práticos, a morte é um acontecimento cientifico natural. Um ponto final, e nada mais.
Não vou me dedicar muito tempo a discorrer sobre isso, pois o que nos interessa hoje é lembrar um pouquinho as formas como a Morte é retratada nas diferentes formas de arte: cinema, literatura, séries, figuras e etc.

1-) Liderando minha lista de hoje está a Obra prima de Zusak: A Menina que Roubava Livros, onde a morte é retratada de forma direta, nua, crua e emocionante. Ela é nada mais, nada menos que A NARRADORA.
A partir de seus três encontros com a Roubadora de Livros, Liesel, a Morte se interessa de forma fascinante pela menina, não resistindo a tentação de parar para observá-la. Acontece que na última vez em que se encontraram, a morte acabou encontrando o livro em que Liesel escreveu sua história, então nossa Narradora para para contá-la a nós.
"São os humanos que sobram. Os sobreviventes. É para eles que não suporto olhar, embora ainda falhe em muitas ocasiões."
Zusak nos apresenta a esse personagem incrível, mostrando seu lado sobrenatural, mas também dotada se sensibilidade e emoções conflitantes. Suas palavras nos fazem pensar na Vida, e causaram em mim emoções que jamais voltaram a se repetir em outro livro.

Eis a apresentação de nossa Narradora:
"— É claro, uma apresentação.
Um começo.
Onde estão meus bons modos?
Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo, eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente.
Nesse momento, você estará deitado(a). (Raras vezes encontro pessoas de pé.) Estará solidificado(a) em seu corpo. Talvez haja uma descoberta; um grito pingará pelo ar. O único som que ouvirei depois disso será minha própria respiração, além do som do cheiro de meus passos."

O texto é encerrado com uma citação que, particularmente, acho maravilhosa, ao mesmo tempo que passível de diversas intepretações, mas que define não só o carater da Morte, como sendo um Ser, mas também os seremos humanos: "Uma última nota de sua narradora: os seres humanos me assombram".


2-) Na série de TV, American Horror story, deparei-me com a imagem mais linda e ao mesmo tempo tristemente assustadora do Anjo da Morte. Vivida por Frances Conroy, a Ruth de Six Feet Under (que é uma série inteira sobre o assunto), o Anjo aparece vestido de preto, elegante, com asas compridas de penas negras e batom vermelho. O morrer acontece com um beijo, O Beijo da Morte.




3-) Em matérias de séries de TV, não poderia deixar passar o Cavaleiro do Apocalipse retratado em Supernatural. o Cavaleiro Negro é mostrado como sendo A Morte, o chefe de todos os ceifeiros, inimigo de Deus e do Diabo, tão velho quanto os dois e poderoso o suficiente para buscar almas no inferno. Vivido por Julian Richings, O Cavaleiro é mostrado como um personagem além do Bem e do Mal. A cena em que Dean o encontra para uma conversa na qual lhe é oferecida uma pizza, é de dar arrepios, mas é também intrigante, pois nos faz pensar no carater contraditório da morte.



4-) Neil Gaiman é outro artista em matéria de retratar a morte, em seus quadrinhos do famoso Sandman. O escritor fez duas séries baseadas em seu personagem, e teve idéias muito peculiares de revelá-lo.
Ela seria a irmã mais velha dos Perpétuos, sendo mais nova somente que Destino. Se encontra com cada um de nós duas vezes: nascimento e morte, e está fadada a ser sempre a última a existir. Uma vez a cada cem anos, Morte passa um dia como mortal, e no fim deste, inevitavelmente morre, para poder assim compreender sua missão.
Na família Perpétuos, ela se mostra a mais otimista e bem humorada. Sempre se veste com roupas góticas e carrega um colar na forma de Ankh, que é o simbolo egípcio da vida, sendo assim um elemento ironico. Tem cabelos negros e pele muito pálida, sendo muito parecida com seus irmãos.




5-) Na pele de Brad Pitt, o longa "Encontro Marcado" (Meet Joe Black) mostra a Morte vivendo no corpo de um humano (e quê humano...). A médica residente conhece um rapaz pouco antes de seu falecimento, num acidente. Acontece que a morte se apossa do corpo para cumprir uma "missão, porém não contava com o desafio de viver, sentir, ser um humano. O resultado é uma história de amor com um final que não poderia ser diferente. 



Para encerrar tenho que dizer que posso ter esquecido algum elemento importante e conto com a participação de vocês, mas o que foi escrito aqui saiu inteiramente da minha cabeça e de minha experiencia com as séries e literaturas citadas.
Anjo, Cavaleiro, Sombra, ou Enigma, a Morte é um personagem em nossas vidas. Acredito que a forma de encará-la seja da subjetividade de cada um. 
O que é a Morte pra você? 



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4 comentários

  1. Não pude não lembrar dos filmes da saga do Harry Potter. As relíquias da morte são belas metáforas do como a relação do humano com a morte é dúbia: sabe de sua inevitabilidade, mas sempre busca formas de ludibriá-la.

    Tema mais que favorito!!!

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    Respostas
    1. Marcoooos! Que prazer ter você aqui!
      Não li a saga Harry Potter. Adoro esse tema, e principalmente essa capacidade que os artistas tem de transformar algo tão amedrontador em arte.

      Volte seeempre. E se tiver alguma sugestão de postagem, será mais que bem vinda!
      Beiiijos
      Saudades!

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  2. A menina que roubava livros eu adoro.

    Bj
    Nessa
    www.noscalafriosdasentrelinhas.blogspot.com.br

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