Six Feet Under - Uma série sobre a morte em suas melhores facetas (A sete palmos)

21:49

Six Feet Under é uma série não tão popular no Brasil, exibida originalmente na HBO e mais tarde em sua versão dublada pelo SBT nas madrugadas. O enredo trata da família Fisher e sua Funerária no andar de baixo da casa. O primeiro capítulo mostra a primeira das mais de 60 mortes retratadas ao longo das temporadas, e se trata de Nathaniel Fisher, o pai da família e chefe da Funerária Fisher and sons. Enquanto é o pai é atingido por um ônibus, a esposa Ruth prepara a ceia de Natal, o filho do meio David (vulgo Michael C. Hall - futuro Dexter) trabalha em um serviço funerário, a filha mais nova, Claire, está em uma festa se drogando com os "amigos" e Nate, o mais velho, chega de avião à Los Angeles acompanhado de sua mais nova e desconhecida "amiga", Brenda. E assim nos são apresentados os personagens mais complexos, humanos, e emocionantes que farão parte das nossas vidas. 
Six Feet Under aparenta ser uma série sobre a Morte, já que em todos os episódios se apresenta um inusitada, improvável, e surpreendente falecimento, mas aos poucos você vai descobrindo que ela fala mesmo sobre a vida, da sua forma mais nua e crua. Portanto prepare-se para se assustar, sentir raiva, chorar, passar mal e sorrir com os Fisher, pois eles são assim, parecidos conosco e sujeitos aos acontecimentos da vida como nós. A morte acaba sendo a personagem principal, e não a vilã, e os mortos que se manifestam como elementos inconscientes dos personagens, são peças fundamentais para o entendimento da trama. 

SPOILER ALERT
Quase dez anos depois, conclui o último episódio da última temporada nessa semana, sendo que acabei demorando um total de quatro meses em tudo, já que houve momentos em que eu simplesmente não tive coragem de apertar o Play. Nunca tinha me pegado refletindo tanto com uma série, como fiquei com essa. É   a forma como ela nos mostra que não podemos estar no lugar certo, na hora certa, e que a vida tem pouco de previsível. A morte de Lisa na terceira temporada foi um choque, não por ela, mas pela forma como aconteceu, e pela forma como Nate lidou com tudo.
Já a morte de Nate foi preparada durante toda a quinte temporada, você só não se da conta disso, até que tudo acontece. Fiquei pensando no motivo porque o autor não permitiu que a Ruth não estivesse com seu filho quando tudo se desencadeou, mas foi justamente essa inevitabilidade da morte, e a surpresa, e nossa incapacidade de estar onde devemos, que dão o caráter de Six Feet Under. 
O ultimo episódio foi lindo, marcante e verdadeiro. Para uma história que trata da morte, nada melhor do que mostrar como cada um de nossos personagens partirão no futuro. Queria poder dar um abraço em Alan Ball por essa obra de arte que ele fez, e em todos os atores por quem eu me apaixonei profundamente, sem exceções. Vou levar "A sete Palmos" comigo para o resto da vida, e recomendar para todos que tiverem folego suficiente para aguentar as emoções.

Agora, para matar as saudades, as fotos dos atores como estão hoje, depois de oito anos da conclusão da série. Um salve especial ao Michael, que além de um grande ator, é um vencedor na luta contra o Câncer, e um lindo! 


Ruth O'Connor Fisher (November 17, 1946–2025), vivida por Frances Conroy

Claire Simone Fisher (March 13, 1983 – February 11, 2085), vivida por Lauren Ambrose

Brenda Chenowith (1969–2051), vivida por Rachel Griffiths

Nathaniel Samuel Fisher, Sr. (1943–2000), vivido por Richard Jenkins

David James Fisher (1969–2044), vivido por Michael C. Hall,

Keith Dwayne Charles (1968–2029), vivido por Mathew St. Patrick

Nathaniel Samuel "Nate" Fisher, Jr. (1965–2005), vivido por Peter Krause,

Billy Chenowith, vivido por Jeremy Sisto

Hector Federico "Rico" Diaz (1974–2049), vivido Freddy Rodriguez

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2 comentários

  1. Esse seriado apresentou-se a mim num momento muito dolorido,há 8 anos atrás, onde vivia uma grande mudança em minha vida.
    Percebi, assistindo cada episódio, que a morte permeia o viver do homem e isso não nem bom ou ruim, apenas a única certeza que temos nesse viver. Ajudou a compreender que a morte é o evento mais cotidiano da vida e, paradoxalmente, mais marcante e surpreendente dos viventes e que o intervalo entre o nascer e o morrer é o que importa e apenas no hoje podemos realmente viver e escolher o que se quer para a vida.

    A série fez-me ver que o caminhar existencial consiste em aceitar limitações, qualidades, perdas e ganhos, isto é, tudo que faz-nos humanos, seres em construção.

    O fim da série deixou-me num luto muito bonito, pois vi que a vida continua e o espetáculo do transcorrer existencial não pára, ou melhor, nunca pára.

    Recomendo a todos à assistir o seriado com coração de quem tem a consciência que sua própria consciência se dá no encontro com o outro.

    Abração a todos que se arriscarem.

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    1. Marcos! Liindo seu comentário!

      Quanto ao fim da série, posso dizer que também vivi um Luto. Não só pelo Nate, mas pela presença de todos os personagens na minha vida. Acabei aprendendo muito com cada um deles. Nunca uma série mexeu tão seriamente comigo, alterando minha visão de mundo.
      Alan Ball é mesmo um gênio!

      Volte sempre por aqui!
      :*****
      Beiiijos

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