Resenha de Livro: A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak

20:21


O LIVRO PREFERIDO – O LIVRO DOS SONHOS


“A pergunta é: e quando o outro é muito mais do que um?”

Sempre me perguntei, nos últimos seis anos, porque eu gosto tanto de ler. Sempre gostei, mas o ato da leitura virou um vicio compulsivo, obsessivo, sem o qual não posso viver, depois de um dia: o dia em que encontrei a obra prima de Markus Zusak. A Menina que Roubava Livros.

Hazel Grace me trouxe uma reflexão, em A culpa é das estrelas (meu segundo favorito) a respeito de certos tipos de livro que lhe são tão importantes, que parece até errado falar deles. Esse é o meu caso. Fiquei calada a respeito de Liesel e da Narradora nos últimos anos, sem ter palavras e nem coragem para dizer o que esse livro significa em minha vida. A verdade é que eu passei a ler incansavelmente, pois esse livro esvaziou minha alma e a encheu dele, de forma que eu vivo numa busca incessante de encontrar algo que o supere. Não tive, e nem acredito que terei, sucesso nessa busca.
Não vou resenhar sobre a escrita exuberante, sobre as notas perspicazes e sobre a estrutura da obra. Vou dizer que todos os personagens me encantaram, e que eu saboreei e saboreio, cada palavra como se pudesse nutrir algo dentro de mim. Eu me encanto com as frases da Narradora, com a forma que ela vê os humanos, as revelações íntimas e com sua paixão cega por Liesel. A poesia triste dos acontecimentos, nus e crus, contados pelo ser mais temido, aquele que vem para levar tudo, que coloca o ponto final, daquela forma tão escancarada e poética.
Muitas vezes eu me pego refletindo na vida com as palavras da Morte, pelos dedos do Zusak. Vejo humanos realizando coisas inimagináveis, aguentando coisas inacreditáveis, e sobrevivendo, quando tudo parece estar perdido mesmo. “Está aí uma coisa que nunca saberei nem compreenderei - do que os humanos são capazes”. Quando vejo pessoas assim,  penso no livro, e tudo faz sentido. “Os seres humanos me assombram”. A última, e mais importante nota de sua narradora.
Liesel é mais que uma personagem, ela é a representante de uma época devastadora; uma flor nascendo no concreto. Liesel é todas, e única ao mesmo tempo. A menina que roubava livros é, com toda certeza, uma obra que vai cativar e emocionar, e muitas vezes mexer em feridas e cicatrizes.

"Estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior. Vejo sua feiúra e sua beleza e me pergunto como uma coisa pode ser as duas."

Acho que não posso dizer mais nada sem comprometer o que já disse, e sem revelar demais. “Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito”.
P.S: A produção cinematográfica está em andamento. Rezo aos céus para não me desapontarem. 





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